A vida, em certo sentido, é uma constante batalha contra os impasses. Enquanto estivermos vivos e continuarmos a desafiar a nós mesmos, estaremos destinados a nos aproximar de difíceis obstáculos que bloqueiam nosso caminho. Se a vida fosse sempre uma navegação tranquila e se nunca tivéssemos contratempos, isso seria sinal de estagnação.
...
As vezes, sentimo-nos tolhidos ou num impasse na vida. Mas é exatamente quando estamos num beco sem saída que nossa fé é testada. Esse tipo de ocasião representa um momento decisivo para conquistar a vitória. O importante é sempre manter o pensamento focado no avanço.

Por fim, o desafio de triunfar sobre os obstáculos se tornará a causa para expandirmos nosso estado de vida consideravelmente. Se realizarmos esforços ativos para lidarmos com os problemas, com toda a certeza, conseguiremos mudar nosso interior e transformar o carma.

Nesse sentido, se ficarmos paralisados em qualquer ocasião, estaremos perdendo a oportunidade para concretizar a vitória. Por outro lado, é a "fé cada vez mais forte" que nos proporciona a força para derrubarmos esses impasses. Isso é válido tanto em termos de nossas batalhas individuais quanto nas batalhas empreendidas na sociedade.

Falando abertamente, o impasse que surge no nível da sociedade, da economia ou de um país aponta para uma limitação dos ideais já existentes ou da filosofia que os conduzem ou que os fundamentam. De fato, é em épocas assim que surge uma nova filosofia. O surgimento de ideias novas e poderosas transforma o impasse em oportunidade para construir uma sociedade melhor.

Sakyamuni disse: "Apressem-se para fazer o bem, restrinjam sua mente do mal. A mente daquele que é lento em fazer o bem se entretém em fazer o mal" (Bantam Books, 1994, p. 43)

Tudo está diante de nós. Tudo se resume na batalha interior. O que importa é nossa mente, nosso coração.

Daisaku Ikeda - Trechos da Explanação do Escrito "A Supremacia da Lei" de Nitiren Daishonin
Fonte: Revista Terceira Civilização, Edição 512 - 09/04/2011 - Pág. 51-52 Editora Brasil Seikyo

 

 

 

 

 

 

"Já é hora de aplicarmos a mesma equação de Einstein para manifestar o potencial infinito existente na essência de cada pessoa, para liberar a coragem e a capacidade das pessoas comuns de modo que entrem em ação e criem uma força indomável em prol da paz. Em última análise, essa é a única forma de acabar com os pesadelos nucleares de nossa época."

Daisaku Ikeda - Construindo a solidariedade global pela abolição das armas nucleares
Fonte: Jornal Brasil Seikyo, 3 de outubro de 2009 - edição 2006

Editora Brasil Seikyo

"Quando ocorre uma fissão nuclear, a ruptura do primeiro átomo é totalmente imperceptível. Então, dois outros átomos se rompem, e mais quatro e assim por diante. Em outras palavras, uma reação que começa com um único átomo aumenta a sua intensidade até que um grande número de partículas bombardeie a massa principal do material fissionável. E, quando se chega a um ponto crítico, uma tremenda quantidade de energia é liberada. ... A pessoa que atinge o estado de Buda é como o átomo que inicia uma fissão nuclear. Seu fluxo vital é puro e generoso, e é capaz de causar mudanças extraordinárias nas profundezas de outras vidas. Assim como a grama seca é restaurada com uma chuva profusa, ou uma caravana que pára num oásis é revitalizada pela água fresca, as pessoas e seu ambiente são banhados com o poder e a alegria de viver quando se encontram no fluxo vital do estado de Buda. Essa reação em cadeia pode se expandir em qualquer tipo de ambiente: de uma pessoa para a família, para os vizinhos e para a comunidade. E também de médicos ou enfermeiras para seus pacientes e para o hospital inteiro. Conforme se espalha, esse fluxo vital faz brotar no ambiente uma nova e vibrante qualidade, e essa mudança ocorre numa escala cada vez maior até transformar o mundo inteiro. Creio que essa é a única esperança para salvar a humanidade e o nosso planeta da destruição. Na prática, o princípio revelado nos Três Mil Mundos num Único Momento da Vida requer os mais elevados ideais, uma insuperável determinação e esforços constantes. Somente assim aqueles que compreendem esse princípio conseguirão influenciar, de maneira positiva e profunda, todos os tipos de pessoas e também causar mudanças no ambiente em que vivem. As pessoas de fé cuja vida está em completa unicidade com a Lei Mística esforçam-se para manter essa prática e possuem a missão de iniciarem a reação em cadeia que conduz à criação da terra eterna e iluminada, um mundo em que todos podem desenvolver o seu próprio estado de Buda."

Daisaku Ikeda
Fonte: VIDA, um enigma uma jóia preciosa, pág 219 e 220
Editora Brasil Seikyo

A chave de tudo é a interação humana!


(...) A inimizade, a contradição e a discórdia parecem ser aspectos inevitáveis dos relacionamentos entre os seres humanos e entre estes com a natureza e o universo. Mas, é por meio do processo de perseverar apesar disso e de transformar esses conflitos, restabelecendo e rejuvenescendo as relações entre nós, que podemos forjar e polir nossa individualidade e nosso caráter.

Se essas relações forem rompidas, o espírito humano ficará apenas vagando sem objetivo nenhum pelo completo breu da solidão. Em termos da psicologia, isso poderia ser chamado de um "distúrbio da comunicação", uma patologia da sociedade moderna ocasionada pelo enfraquecimento das relações entre as pessoas.

O comportamento anti-social e o aumento dos crimes praticados por jovens são manifestações graves dessa patologia social. Há um contínuo debate no Japão a respeito de criar emendas para a lei juvenil, mas o simples fato de mudar a lei não levará à solução do problema. É responsabilidade dos adultos restabelecer, com paciência, a capacidade de se comunicar ouvindo as vozes de crianças isoladas que gritam por ajuda em meio à escuridão.

Há um famoso episódio sobre Sócrates que descreve sua influência sobre os jovens como uma raia elétrica, que aguilhoa quem a toca. Ele explica que pode eletrificar os outros porque ele próprio está eletrificado. Da mesma forma, um professor deve ser sempre criativo se quiser despertar a criatividade em seus alunos. Essa é uma qualidade essencial em um educador.

O mais importante é a atitude dos próprios professores. A chave de tudo é a interação humana. (...)

Daisaku Ikeda - Construindo uma sociedade que sirva às necessidades fundamentais da educação
Fonte: Proposta Educacional:Algumas considerações sobre a educação do século XXI, Setembro/2006
Editora Brasil Seikyo

 

Gandhi, King e Ikeda - Pelo Ideal do Humanismo

Exposição conta vida e trajetória de Gandhi, King e Ikeda

A mostra resgata a trajetória dos três grandes humanistas Mahatma Gandhi, Martin Luther King e Daisaku Ikeda. A visitação é gratuita e vai de 3 a 20 de fevereiro no Hall do Edifício Matarazzo.

 

Nesta segunda-feira (02/02) a Prefeitura de São Paulo recebe a exposição Gandhi, King e Ikeda - Pelo Ideal do Humanismo, que será aberta nesta segunda (02) às 19h e poderá ser visitada de 3 a 20 de fevereiro, no Edifício Matarazzo, sede da Prefeitura.

Promovida pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) em conjunto com a Universidade Aberta do Meio Ambiente e da Cultura de Paz (Umapaz), a Capela Internacional Martin Luther King Jr. da Faculdade Morehouse e com apoio da Associação Brasil SGI, a exposição resgata a trajetória dos três grandes humanistas Mahatma Gandhi, Martin Luther King e Daisaku Ikeda.

Idealizada há dez anos por Lawrence Carter, diretor da Faculdade Morehouse em Atlanta, nos Estados Unidos, a exposição tem como objetivo levar ao grande público a visão e as ações pacifistas destes três grandes homens que, apesar de pertencerem a culturas distintas, disseminaram a mesma conduta da não-violência, da solidariedade e do humanismo, proporcionando um novo olhar perante questões e grandes problemas enfrentados hoje por todo mundo.

Daisaku Ikeda, único vivo, entre os três homenageados na exposição, preside da Soka Gakkai Internacional (SGI) e propôs a normalização das relações entre Japão e China, engajando-se ativamente na elaboração e publicação de propostas dirigidas às Nações Unidas, sobre a paz, desarmamento, educação e meio ambiente. Seu trabalho já resultou na criação de diversos institutos de pesquisa do humanista em cerca de 20 universidades chinesas.

Mahatma Gandhi, indiano que liderou o movimento de não-violência durante a luta pela independência da Índia na década de 1940, sempre lutou pela paz e pelo humanismo mundial; uma de suas frases mais conhecidas e difundidas no mundo diz: "Não existe um caminho para paz! A paz é o caminho!"

Martin Luther King Jr., pastor Batista e ativista político norte-americano, conhecido líder e defensor dos direitos civis e da igualdade racial, por meio das máximas da não-violência e do amor para com o próximo. Se tornou a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz em 1964, pouco antes de seu assassinato. Seu discurso mais famoso e lembrado é "Eu Tenho Um Sonho".

A exposição que já percorreu 21 países, conta com 46 painéis divididos em cinco temas: Inspirações de vida; Coração humanitário, Princípios e ações; Adversidades, resistência e não-violência.

Entre os países que já receberam a exposição, destacam-se Canadá, Alemanha, França, Itália, Jordânia, Índia, Nova Zelândia, Bolívia, além dos Estados Unidos.

Serviço

Exposição "Gandhi, King, Ikeda - Pelo Ideal do Humanismo"
Abertura: 2 de janeiro de 2009, às 19h.
Visitação: de 3 a 20 de fevereiro
Horário: de segunda a sexta-feira, das 8h às 19h
Local: Hall de entrada do Edifício Matarazzo - Sede da Prefeitura de São Paulo
Endereço: viaduto do Chá, 15
Grátis

Fonte: http://www.prefeitura.sp.gov.br/portal/a_cidade/noticias/index.php?p=28041

Trabalhando juntos por um mundo sem guerras

  

(...) Uma transformação no íntimo de um indivíduo pode encorajar mudanças similares em outros. E se isto se estende pela sociedade, gera um poderoso raio de luz para a paz, que pode moldar com firmeza a direção dos eventos. O impacto coletivo de “cidadãos comuns”, conscientes e fortalecidos, pode impelir a humanidade rumo aos objetivos irmãos do verdadeiro desarmamento e do florescimento de uma cultura de paz. Uma de minhas maiores alegrias foi o meu encontro e diálogo com o Dr. Joseph Rotblat, presidente emérito das Conferências Pugwash sobre Ciências e Questões Mundiais, que, infelizmente, faleceu no ano passado. Jamais me esquecerei de um certo comentário que ele me fez sobre como livrar o mundo das armas nucleares e da guerra:

 

Quando uma pequenina pedra é lançada num lago, as ondas viajam amplamente, a partir do centro. Embora elas se tornem menos poderosas,não desaparecem completamente. Cada pessoa tem o poder de criar ondas que transformem a sociedade.Se esses esforços forem concentrados e canalizados pelas ONGs, inevitavelmente crescerá o poder de influenciar a sociedade... Se nos unirmos, podemos transformar o mundo. Pode levar algum tempo, mas visto de uma perspectiva a longoprazo, as pessoas acabarão vitoriosas...

 

Esta solidariedade de cidadãos conscientes, pela qual o Dr. Rotblat tinha grandes esperanças, é o que norteia o movimento do humanismo budista da SGI em 190 países e territórios. Os próximos cinco anos, até 2010, serão uma oportunidade única. Com coragem e esperança, ansiamos trabalhar com pessoas de igual mentalidade em todo o mundo. Só assim construiremos os alicerces de uma sociedade global de paz e coexistência criadora.(...)

  

Daisaku Ikeda -  Proposta de Paz 2006

A Nova Era do Povo:

Uma Rede Mundial de Indivíduos Conscientes e Fortes

Fonte: Terceira Civilização, edição nº 453, Maio/2006

Editora Brasil Seikyo

http://www.bsgi.org.br/paz_conceitos.htm

A Carta da Terra

 

(...) Com relação à Conferência Mundial sobre Desenvolvimento Sustentado, gostaria agora de mencionar a Carta da Terra. Este documento, que elucida os valores e princípios para um futuro sustentado, desenvolveu-se a partir de discussões conduzidas pela Comissão da Carta da Terra, liderada por Mikhail Gorbachev, presidente da Cruz Verde Internacional, e por Maurice Strong, secretário-geral da Cúpula da Terra, realizada no Rio de Janeiro em 1992. A redação final foi completada em junho de 2000 e espera-se que seja oficialmente reconhecida na Conferência Mundial sobre Desenvolvimento Sustentado.

 

Na SGI, há um amplo apoio aos objetivos e princípios da Carta da Terra. Atividades e eventos para promovê-la já foram organizados em muitos países do mundo. Além disso, um centro de pesquisas para a paz vinculado à SGI, o Centro de Pesquisas para a Paz do Século XXI de Boston (BRC), organizou simpósios e publicou trabalhos que ofereceram informações multifacetadas para a elaboração da Carta da Terra.

 

As preocupações da Carta da Terra não se limitam apenas a questões ambientais. O documento contém uma importante linguagem relacionada à justiça econômica e social, à democracia, à não-violência e à paz. Nesse sentido, é uma declaração abrangente sobre as normas e valores necessários para um governo global efetivo. Pode ser considerada como uma diretriz para a humanidade no século XXI. É somente com uma visão comum e um esforço conjunto para concretizá-la que poderemos saudar um futuro mais esperançoso. Por essa razão, é imperativo que a comunidade internacional apóie e valorize a Carta da Terra.

 

É também vital que haja contínuos esforços a nível popular para elevar a conscientização de que a Carta da Terra se torne o sustentáculo de uma luta comum pela humanidade. A SGI está determinada a continuar a trabalhar com o Conselho da Terra e com outras organizações no sentido de apoiar a tradução da Carta da Terra para vários idiomas e na elaboração de panfletos, vídeos e outros materiais de divulgação dessas idéias.

 

Precisamos de um consenso global por trás de uma educação ambiental, visando especialmente as novas gerações que se encarregarão do futuro. Soube que a Conferência Mundial sobre Desenvolvimento Sustentado está sendo promovida pelos jovens com a utilização de pôsteres e concursos de ensaios. Há uma necessidade semelhante de elaborar materiais que apresentem a mensagem da Carta da Terra às crianças e jovens numa linguagem que seja facilmente acessível a eles. Com isso em mente, a SGI está comprometida com a promoção de uma educação ambiental e a disseminação da informação ambiental por meio de uma ampla variedade de formas e canais. (...)

 

Daisaku Ikeda -  Proposta de Paz 2002

O Humanismo do Caminho do Meio:

 O Alvorecer de uma Civilização Global

Fonte: Terceira Civilização, edição nº 405, Maio/2002

 Editora Brasil Seikyo

Identidade e comunidade

 

(...) Cem anos atrás, quando o mundo era escravo do imperialismo e do colonialismo, o presidente fundador da Soka Gakkai, Tsunessaburo Makiguti (1871–1944), descreveu essas forças como o “egoísmo nacional”. Ele também declarou: “O Estado não existe fora do indivíduo: o propósito do Estado é concretizar as aspirações que estão no coração dos indivíduos.”  Ele afirmou ainda que o objetivo último tanto da vida do indivíduo quanto do Estado deve ser “o caminho da humanidade” ou o humanitarismo, algo que somente pode ser percebido nas ações cujo objetivo não se limita à própria felicidade, mas inclui também a felicidade dos outros.

 

Em sua filosofia da educação, Makiguti expressa forte simpatia pelo pensador norte-americano John Dewey (1859–1952), e nesse contexto, as idéias de Dewey sobre a natureza de uma identidade pública como a base para a democracia são de grande interesse. Em The Public and Its Problems (O Público e seus Problemas), Dewey cita a descrição de W.H. Hudson sobre a vida numa vila em Wiltshire (Inglaterra).

 

“Cada lar possui um núcleo, que liga a vida humana com a vida do pássaro e da fera, e esse núcleo está em contato com um outro, conectado como em uma fila de crianças de mãos dadas... Eu imaginei o caso de um aldeão no fim de uma vila ocupado em talhar um pedaço de madeira ou tora e que acidentalmente deixa cair o pesado machado em seu pé, causando-lhe um grave ferimento. A notícia do acidente corre de boca em boca até a outra extremidade da vila, uma milha distante; não apenas cada aldeão saberia disso, mas também teria ao mesmo tempo uma vívida imagem mental de seu companheiro no momento do infortúnio: a afiada e brilhante lâmina caindo em seu pé, o sangue vermelho jorrando; e esse aldeão ao mesmo tempo sentiria o ferimento em seu próprio pé e o choque em seu corpo.”

 

O desastre que se abateu sobre um de seus companheiros não é considerado como um simples fato pelos aldeões, é sentido e experimentado como uma dor pessoal e comum. Essa sensibilidade e a conscientização da vida são a essência de uma identidade pública. É esse surpreendente senso de realidade que deixa essa forte impressão.

 

Numa pequena comunidade como essa, não apenas os humanos mas também a vida animal e mesmo os seres não-sensíveis conservam os traços distintos de sua individualidade e “diversidade” e ao mesmo tempo são intimamente ligados e unidos uns aos outros dentro da estrutura de um destino partilhado. Somente entrando e participando da comunidade é que as pessoas podem adquirir um sólido senso de identidade, posicionando e dando significado à sua própria vida e morte dentro de um todo maior. (...) 

Daisaku Ikeda -  Proposta de Paz 2004

Revolução Interior:  uma onda mundial pela paz

Fonte: Terceira Civilização, edição nº 429, Maio/2004

 Editora Brasil Seikyo

Uma ética de coexistência

 

(...) Escolhi usar a frase “uma ética de coexistência” — que foi o tema central do discurso que proferi na Academia de Ciências Sociais da China em 1992 — para expressar a norma ética de tudo que venho propondo. Ela é um ethos que procura criar harmonia a partir do conflito, união a partir da ruptura, e que se baseia mais no “nós” do que no “eu”. Indica uma intenção para encorajar o florescimento mútuo e as relações de apoio entre os homens e entre o homem e a natureza. Acredito que ao fazer dessa ética de coexistência o espírito solidário de nosso tempo, podemos encontrar os meios certos para fechar a “fenda entre o poder e os padrões éticos de comportamento”, questão de grande interesse para o Dr. Toynbee.

 

Dessa perspectiva, não é difícil encontrar tendências atuais extremamente perturbadoras. O foco da atenção parece estar exclusivamente no “poder” — quer este assuma a forma de armas nucleares, quer de armas biológicas — enquanto nenhuma atenção se dá às questões de ética e de valores fundamentais. Mas as armas de destruição em massa surgem dos sentimentos que o coração humano abriga. Assim, nossa única esperança de reduzir ou eliminar o terror que elas provocam encontra-se justamente na profunda transformação de nossa vida. Somente considerando fatores sociais mais abrangentes é que podemos ter alguma esperança de conter e abolir essas armas terríveis.

 

Conforme Stiglitz observa, ”Cuidar do meio ambiente, assegurar que o pobre tenha voz em decisões que os afete e promover a democracia e as relações comerciais justas, são ações necessárias para obter os benefícios potenciais da globalização” . Todas essas ações, obviamente, contribuiriam para eliminar as causas do terrorismo a longo prazo. Mas nenhuma delas, ao meu ver, podem ser efetuadas sem uma ética de coexistência.

 

Em uma era dominada pela força bruta e por comandos esbravejados, cheios de arrogância, falar de uma ética de coexistência pode soar como uma retórica vazia. Mas acredito que não podemos desconsiderar as palavras do ex-secretário do Trabalho norte-americano, Robert Reich: “As maiores preocupações desta era de prosperidade”, ele escreve, “dizem respeito à desagregação de nossas famílias, à fragmentação de nossa comunidade, e ao desafio de manter nossa própria integridade intacta. Essas preocupações são importante parcela da economia emergente que se igualam a seus enormes benefícios: a riqueza, a inovação, novas chances e escolhas” . (Reich demitiu-se após um telefonema de seu filho queixando-se de solidão pela ausência do pai extremamente ocupado.)

 

A nova economia certamente expandiu o alcance da liberdade e de escolha pessoal, criando oportunidades para indivíduos talentosos e determinados a reunir vasta fortuna. Ao mesmo tempo, a comunicação eletrônica propaga-se rapidamente hoje em dia, transcendendo facilmente as estruturas do Estado soberano. Enfim, novas formas de comunicação podem ocasionar a deterioração e até mesmo a desintegração das formas tradicionais de organização social, como as corporações e escolas, comunidades locais e até mesmo famílias. Com a crescente importância dada ao indivíduo, o senso de pertencer e de se situar, que o sustenta, está sendo desmantelado, gerando profunda crise de identidade.

 

Reich não rejeita a nova economia ou o desenvolvimento da sociedade da internet. Mas ele está muito preocupado com a questão de como alcançar um modo de vida mais equilibrado, em que as pessoas nunca são subjugadas ou se tornem instrumentos de sua própria tecnologia. O objetivo que ele persegue pode ser chamado de “Sociedade baseada na internet com face humana”, seguindo o clamor de Stiglitz pela globalização com face humana.

 

Esta é a questão: se as mudanças que estão ocorrendo representam um avanço da felicidade humana, se seremos capazes de realmente apreciar a felicidade, ou então se permitiremos passivamente que essas tendências tomem seu curso natural. Compartilhando as preocupações expressas por Reich, não se pode visualizar o futuro com desenfreado otimismo. (...)

 

Daisaku Ikeda -  Proposta de Paz 2003

Por uma ética global de coexistência - A dimensão da vida: um paradigma

Fonte: Terceira Civilização, edição nº 417, Maio/2003

 Editora Brasil Seikyo

Competição Humanística

 

(...) Esta discussão traz à tona o futuro previsto pelo fundador da Soka Gakkai, presidente Tsunessaburo Makiguti, em sua obra Jinsei Chirigaku (Geografia da Vida Humana), escrita em 1903. Naquela época, as grandes potências estavam voltadas para a política de expansão do poderio industrial e militar. Era uma competição mundial pela hegemonia; o impacto do imperialismo e do colonialismo foi sentido em todo o mundo. Nesse cenário, Makiguti classificou a luta pela sobrevivência entre as nações em quatro tipos de competição: militar, política, econômica e humanística.

 

Considerava que o mundo não poderia mais suportar as rivalidades militares, políticas e econômicas e que deveria canalizar suas energias para a competição no plano humanístico.

 

A visão de Makiguti me seduz. Mais do que prever uma mudança nos modos e nos campos de competição, ele antevê e exige uma transformação na própria natureza da competição. Uma transformação em sua essência: da competição para a cooperação.

 

A dimensão da influência espiritual que um país ou um povo exerce sobre o mundo - em suas realizações culturais ou pela persuasão moral - está no coração da competição humanística. Em termos atuais, isso poderia ser descrito como uma expansão de nossa competitividade em estilo “soft power”. Ele escreveu:

 

“O poder político e militar que busca a expansão territorial - às vezes sob o manto do crescimento econômico -, procurando colocar tantos povos quanto possível sob sua influência, deve ser ultrapassado pelas forças intangíveis que inspiram naturalmente o respeito dos povos... Em vez de responder à força da ameaça, as pessoas dariam espontaneamente seu apoio sem reservas.”

 

Ele escreveu também:

 

“Não existe uma fórmula simples para esse humanismo. Ao contrário, todas as atividades, seja no campo da política ou no da economia, deveriam ser conduzidas em conformidade com os princípios do humanitarismo. O importante é abster-se de ações egoísticas e empenhar-se para proteger e desenvolver não apenas nossa própria vida, mas também a dos outros, pois, beneficiando-os, também nos beneficiaremos. Em outras palavras, isso significa engajar-se conscientemente na vida comunitária.”

 

Makiguti sugere, dessa maneira, que a competição humanística influenciaria outras formas de competição. Disso resultaria uma mudança na consciência das pessoas: da competição para a coexistência e a cooperação. (...)

 

Daisaku Ikeda - Proposta de Paz 1998

A Humanidade e o Novo Milênio: Do Caos para o Cosmos

Fonte: O Desafio de uma nova era – Paz 

Editora Brasil Seikyo

Carta da Terra

Com o objetivo de levar para mais e mais pessoas a mensagem da Carta da Terra, estou indicando alguns links.

Para visualizar clique em algum dos itens a seguir:

Diálogo pela Vida

Exposição Diálogo pela Vida por Uma Cultura de Paz

Esta exposição é composta por 6 grandes alas. São elas:

  1. Grande Universo                               
  2. Pequeno Universo                           
  3. Aprender Vivendo                                  
  4. O Diálogo
  5. Amigos do Mundo
  6. Quem somos

Em cada ala há informações muito interessantes que poderão ser acessadas através dos links próxima página e avançar.

Para visitar a Exposição Clique aqui (após maximize a página e clique no link Entre abaixo da foto central)

 

 

 

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